O vírus da gripe H1N1 - que vitimou uma série de pessoas mundo afora - é o foco de uma nova campanha de vacinação decantada e promovida pelos homens públicos do nosso país, caso do ministro da Saúde José Gomes Temporão - um dos avalizadores dessa vergonhosa e discriminatória campanha de imunização, como a mais competente forma de prevenção e de promoção da saúde a nossa população.
Não bastasse o fato de que grupos etários foram removidos das listagens de vacinação, devido ao menor risco de contágio ( que não significa nenhum risco), notei que um grupo significativo dos profissionais de saúde FOI EXCLUÍDA daquilo que o governo entende como PROFISSIONAL DE SAÚDE.
A maior parte dos dentistas, por exemplo, não foi equiparada aos profissionais de saúde da rede hospitalar - apesar de entrarem em contato com saliva, ar e infecções de eventuais portadores desse quadro gripal, regido pelo H1N1, e de terem chances bastante próximas de contágio por esse vírus. Falo também em nome da categoria dos auxiliares de consultório dentário que cooperam com a rotina de trabalho das nossas clínicas e porque não dizer de outros como fisioterapeutas, educadores físicos, etc.
Liguei para o Conselho Regional de Odontologia e percebi que foram surpreendidos com essa decisão e que estão sem ter a quem recorrer. É isso que dá ficar abraçando político pra cima e pra baixo em congressos e eventos da nossa classe? É isso que dar ficar nessa troca de favores institucionais das entidades de classe com o governo? Qual o benefício gerado à proteção da saúde dos seus representados - que pagam as anuidades dessas entidades?
Para variar, os políticos se esqueceram de todas aquelas benesses oferecidas pelos nossos “líderes” e trataram toda uma categoria de profissionais da saúde como um verdadeiro ” bando de crianças” reféns das vontades dos seus pais, leia-se o governo.
Onde estão as APCD´s, CFO´s, ABO´s, ABCD´s, Sindicatos - que deveriam veementemente repreender e parar de servir de palanque político a esses maus representantes do poder público?
Na realidade a atitude dos nossos representantes de classe já deveria ter sido tomada antes - a de prevenir essa vergonhosa discriminação por parte de seus “amigos” do poder público - os mesmos que são nominados presidentes de honra de congressos nacionais e internacionais e recebem belíssimos espaços institucionais para propagandear seus projetos - por vezes - eleitoreiros nos grandes eventos da odontologia pelo Brasil.
Não bastasse sermos discriminados economicamente perante vendedores de veículos, de materiais de construção e de eletrodomésticos - beneficiados com a baixa de impostos -e, agora, surge essa disciminação em relação aos outros profissionais de saúde tidos como de maior risco à gripe (foi o que me disse a atendente do Instituto Pasteur em São Paulo, quando de forma inocente tentava descobrir um posto próximo de vacinação - o que me permitiu descobrir essa farsa da imunização contra o H1N1).
Devemos reconhecer que um país justo deve levar em conta a importância e o bem estar de todos e que uma categoria que deseja ser levada à sério deve se posicionar em defesa dos abusos cometidos contra ela e que refletem por toda a população.
Se, de fato, essa constatação se confirmar recomendo a você cirurgião- dentista ou afeito as questões da saúde que se lembre, com carinho, desse descalabro na hora do seu voto. Não vamos premiar esses maus elementos com a única arma que nos resta.
Ministro da Saúde - cadê você? Ou será que para nós o sr. não passa de um “Brasil Sorridente” - que sorri mesmo para as coisas ruins do seu governo? Secretários estaduais e municipais de saúde - cadê a indignação e a atitude?
Representantes da Odontologia, a palavra está com vocês… ou será que não sabiam dessa?!…