SAÚDE BUCAL EM FOCO

O blog do Prof. Rodrigo Bueno de Moraes é um canal aberto à discussão sobre as questões da saúde bucal e sobre a relevância dos temas da saúde para o cotidiano e a qualidade de vida.

12.3.07

Escovas dentárias e as contaminações

Muitas pessoas falam que uma boa higiene da boca é a coisa mais importante para a manutenção da saúde dos dentes. Para poder utilizar com eficiência uma escova de dentes, o indivíduo deve, inicialmente, ter a preocupação com os cuidados de manutenção da sua “ferramenta de limpeza” - a poderosa escova.

Faz alguns anos, que um estudo feito em parceria com a Associação Brasileira de Odontologia, mostrou a importância de manter e guardar a escova em um local apropriado. Esse levantamento salientou algumas maneiras práticas e econômicas de prolongar a vida útil da escova e de evitar a contaminação por diferentes tipos de microorganismos e bactérias, inclusive as causadoras da cárie.

As escovas dentais, após serem utilizadas para a higiene bucal e armazenadas em condições usuais (em copinhos abertos sobre a pia do banheiro, por exemplo) podem ser contaminadas por bactérias, vírus, parasitas intestinais, provenientes da cavidade bucal ou do meio ambiente. O contato entre escovas de diferentes membros da família em recipientes sobre a pia ou nos armários do banheiro, além do contato salivar entre indivíduos que compartilham uma mesma escova de dentes, podem comprometer a saúde dos dentes e a dos indivíduos.

Alguns estudos mostram que as escovas que permanecem fora do armário ou de depósitos adequados, no banheiro, podem ser contaminadas por coliformes fecais, presentes no aerossol que se forma após a descarga. Com isso as bactérias provenientes desse “depósito do vaso sanitário”podem atingir e se proliferar nas cerdas da escova sobre a pia do banheiro.

Isso mostra a necessidade de realizarmos uma desinfecção da escova antes de guardá-la no armário do banheiro, imediatamente após o uso. A melhor forma é a da lavagem da escova em água corrente e a remoção do excesso de água acumulada através das batidas do cabo na borda da pia (e não através de um esfregaço das cerdas na toalha de banho ou de rosto), o que aumenta ainda mais a contaminação e a deformação da escova.

A aplicação de um anti-séptico, como a clorexidina ou similar é também um método eficaz na eliminação das bactérias que causam a cárie e pode ser adquirido facilmente em farmácias de manipulação. Após a desinfecção, a escova deve ser conservada em local fresco, dentro do armário do banheiro (ou em invólucro adequado) e antes da próxima utilização, deve-se lavar a escova em água corrente para tirar os resíduos desse antisséptico.

Isso confere maior duração a escova. Indivíduos sadios devem trocar suas escovas a cada 3 meses, se muito bem preservadas e utilizadas. Os indivíduos com gripe ou outras doenças infecciosas devem trocá-las no início e após a cura. Os imunodeprimidos ou indivíduos que fazem quimioterapia deveriam trocá-las a cada 2 a 7 dias.
Apesar de necessitarmos de maiores estudos sobre o tema - “Como cuidar das escovas” esses procedimentos parecem colaborar com a preservação ou aumento da vida útil da escova de dentes e com a eficiência da saúde bucal. Se pudessemos traçar um comparativo com o nosso cotidiano poderíamos imaginar o seguinte: - De que adianta um bom carro se o motorista não cuida e não sabe conduzir o veículo…

criado por Rodrigo G. Bueno de Moraes    14:59:52 — Arquivado em: Odontologia & Saúde

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