SAÚDE BUCAL EM FOCO

O blog do Prof. Rodrigo Bueno de Moraes é um canal aberto à discussão sobre as questões da saúde bucal e sobre a relevância dos temas da saúde para o cotidiano e a qualidade de vida.

15.8.08

O SONHO DA 3a. DENTIÇÃO…

Publicado pelo Jornal Folha de SP em 15.08.2008

Dupla de pesquisadores usa célula-tronco para produzir dente novo.
O feito desses paulistas foi obtido em ratos, usando células humanas. Os dentes cresceram em três meses na própria mandíbula do animal e o objetivo, agora, é o de testar a segurança da nova técnica em seres humanos. 
Criar um dente novo a partir de um velho, e ainda usando o famigerado siso, deverá ser viável em até uma década. Quem promete é uma dupla de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo.
Os estudos realizados pelos dentistas Silvio e Mônica Duailibi no Departamento de Cirurgia Plástica da Unifesp ainda não são feitos em humanos, mas estão próximos disso.
Por enquanto, o mais recente resultado científico da dupla, publicado neste mês no periódico "Journal of Dental Research", mostra que é viável fazer crescer dentes em ratos usando células-tronco adultas extraídas de um outro dente.
Estudos anteriores do casal haviam mostrado que é possível fazer o órgão surgir no abdômen do roedor. Agora, o avanço foi maior.
"Nós conseguimos fazer com que o dente nascesse no lugar onde ele realmente deveria crescer, na mandíbula", diz Silvio Duailibi. "O processo ocorreu em três meses e deu origem a um dente com todas as suas estruturas, mas ainda sem as dimensões normais."
Para chegar aos dentes nos ratos -o grupo também já testou com sucesso o uso de células humanas neste processo- é preciso ter em mãos três ingredientes básicos, diz a dupla.
O primeiro são as células-tronco, que no caso humano poderão ser retiradas do siso. Elas são colocadas em um polímero que vai servir como uma espécie de "cimento" para que as células possam ser fixadas na mandíbula. Após fazer esse papel, o polímero é totalmente absorvido pelo organismo.
O veículo com a matéria-prima celular ainda precisa de um empurrãozinho, no caso um tecido vascularizado, para poder fazer com que o dente, ainda sem uma função definida, realmente cresça.
"Em termos genéticos, ao usarmos as células de um dente jovem na base do processo, estamos fazendo despertar uma espécie de memória genética que as células têm", diz Mônica.
Ou seja, usar as polêmicas células-tronco embrionárias (que são retiradas do embrião morto) não resolveria muita coisa neste caso, já que estas não possuem memória nenhuma.
Além disso, orientar a organização dos tecidos celulares para que todas as partes do dente cresçam corretamente é muito mais fácil com as células adultas. Elas, no passado, já passaram por este mesmo processo uma vez.
Apesar dos obstáculos científicos que existem pela frente, é possível, segundo Mônica, imaginar que em menos de dez anos as pessoas já poderão desfrutar das suas terceiras dentições biológicas, depois de passarem pela de leite e também pela da fase adulta.
O mais importante, segundo a dupla, é ter a certeza de que o método é seguro e confiável. A reintrodução de células em um paciente, mesmo que seja do próprio, pode embaralhar o ciclo celular -processo que, em tese, é o mesmo que faz aparecer os tumores.
"Nossa meta agora é testar a eficácia desta técnica. Mesmo porque, em um primeiro momento, o paciente vai pagar caro por isso e precisamos ter certeza que tudo vai funcionar como o esperado", diz Silvio.
A dupla, afirma, está otimista. "Esse caminho da bioengenharia é uma opção bastante viável não apenas para os implantes dentários, mas também para todos os transplantes de órgão", diz Mônica.
Segundo a pesquisadora, no médio prazo, a técnica pode ser mais barata para as políticas públicas de saúde do que os tratamentos utilizados hoje, especialmente para os mais velhos: no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, 56% dos idosos não possuem sequer um dente funcional.

criado por Rodrigo G. Bueno de Moraes    17:43:39 — Arquivado em: Odontologia & Saúde

11.8.08

Novo esmalte para os dentes

Fonte:
BBC Brasil

21/07/2008

Cientistas criam produto que recupera esmalte dos dentes

Cientistas britânicos estão desenvolvendo uma solução bucal que seria capaz de ativar a formação de um novo esmalte dentário e, assim, reduzir a necessidade do uso de brocas e de obturações em tratamentos odontológicos.

Segundo os pesquisadores da Universidade de Leeds, a solução, aplicada diretamente nos dentes, contém com uma proteína que se juntaria ao cálcio natural para reconstituir o esmalte.

Jennifer Kirkham, que lidera a equipe, explica que os dentes se degeneram pela ação de ácidos produzidos por bactérias presentes na boca, que provocam o surgimento de cáries.

Quando as cáries são grandes, os dentistas geralmente as cobrem retirando a área danificada e colocando em seu lugar uma obturação.

A nova solução bucal poderia ser usada em casos iniciais, quando os buracos ainda são microscópicos, e não eliminaria a necessidade do uso da broca e de obturações em casos de cáries mais graves.

Dentes sensíveis

A solução seria aplicada diretamente no dente, cobrindo os buracos. Uma vez dentro das cavidades nos dentes, o fluido se transformaria em um gel que se juntaria ao cálcio natural do dente, reconstituindo o esmalte.

Essa seria uma saída para as pessoas que sentem dor nos dentes ao tomar bebidas ou comer alimentos frios ou quentes demais - o que pode ser um sinal da presença dessas cavidades microscópicas - e evitaria o avanço das cáries para formas mais graves.

"(O processo) provoca um reparo natural nos dentes, sem a dor ou o desconforto geralmente associado à perfuração da broca", afirmou Kirkham.

A equipe acredita que a solução poderá entrar em fase de testes no próximo ano e que a licença para o uso deve sair em cinco anos.

criado por Rodrigo G. Bueno de Moraes    22:22:33 — Arquivado em: Sem categoria

5.8.08

PILULA CONTRA A AIDS

Será que uma pílula de uso diário pode ajudar a prevenir a infecção pelo HIV, o vírus causador da aids? Ninguém sabe ao certo. Mas pesquisadores de diversos países estão conduzindo testes para determinar se isso é possível, e novos experimentos estão sendo planejados para testar a estratégia, nunca antes aplicada, de utilizar uma pílula - ou combinação de pílulas de uso diário - a fim de prevenir a contaminação pelo HIV.

Pela metade de 2009, haverá mais gente participando de testes como esses do que em todos os programas de vacinas e microbicidas de prevenção do HIV, de acordo com a Coalizão em Defesa de uma Vacina contra a Aids, em um relatório divulgado domingo na abertura da 17ª Conferência Internacional contra a Aids, na Cidade do México.

As constatações iniciais quanto à segurança e efetividade do produto podem surgir no começo do ano que vem, ainda que os pesquisadores não tenham idéia de como o método possa se sair diante dos resultados decepcionantes de outros testes recentes de vacinas e microbicidas de combate ao HIV - produtos químicos que uma mulher pode usar em seu órgão sexual para prevenir a infecção por HIV.

Diante dos resultados desanimadores das provas recentes, alguns especialistas em aids dizem que o teste do uso profilático de medicamentos de combate ao retrovírus da aids - um método conhecido como PrEP, abreviatura em inglês de "profilaxia pré-exposição" - agora se tornou a abordagem mais promissora entre os esforços de prevenção do HIV, ainda que as pesquisas quanto a vacinas e microbicidas devam continuar.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, que divulgou relatório no último sábado demonstrando que o número de novas infecções por HIV nos Estados Unidos em anos recentes na verdade foi 40% superior aos resultados que vinham sendo reportados há bastante tempo, afirmou também que o uso da PrEP estava entre as estratégias que precisariam ser desenvolvidas a fim de reduzir substancialmente a incidência do HIV.

Um total estimado em 2,7 milhões de pessoas contrai o HIV a cada ano em todo o mundo.

"Não podemos esperar pelos resultados do estudo para começar a preparar o uso e os meios de distribuição mais adequados do PrEP", disse Pedro Goicochea, investigador em um estudo de PrEP que está em curso no Peru e Equador.

"Em lugar disso, deveríamos antecipar as futuras tendências e resultados prováveis desses testes, e começar a preparar planos realistas para que a PrEP possa ser aplicado àqueles que possam se beneficiar do método, de maneira tão rápida e segura quando possível, caso sua efetividade venha a ser confirmada".

A Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças e a Fundação Bill & Melinda Gates estão pagando por parte dos dois testes.

As organizações decidiram empreender os testes devido ao sucesso no uso de medicamentos de combate a retrovírus por gestantes, a fim de impedir que seus fetos em gestação contraíssem o HIV e malária.

Em 2007, a Family Health International concluiu um estudo semelhante quanto ao uso do tenofovir, um medicamento de combate a retrovírus, como forma de prevenir o HIV entre mulheres jovens de Gana, e ofereceu os primeiros dados que demonstram que seu uso era tão seguro quando aceitável entre usuários não infectados.

Mas o estudo não indicou seu uso de PrEP era efetivo na prevenção de novas infecções.

Estudos com um pequeno número de primatas não humanos deram a entender que o uso da PrEP pode ajudar a reduzir a infecção por uma forma simiesca de HIV em primatas não humanos.

Os estudos iniciais da PrEP envolvem o uso de tenofovir, sozinho ou em combinação com outro medicamento, a emtricitabine.

As pessoas infectadas que utilizam esses medicamentos licenciados demonstraram efeitos colaterais limitados, tais como náusea, vômito, diarréia e gases intestinais.

Mas o uso seguro dos remédios precisa ser estabelecido entre pessoas não infectadas, bem como entre os participantes que se infectaram ao longo do período de estudo.

Os participantes dos testes incluem homens homossexuais e bissexuais, homens e mulheres heterossexuais, casais nos quais um dos parceiros porta o HIV e trabalhadores do sexo.

A expectativa é que haja até 15 mil pessoas participando dos testes até a metade de 2009. Os locais de teste incluem África do Sul, Botswana, Brasil, Equador, Estados Unidos, Malaui, Peru, Quênia, Tanzânia, Tailândia e Uganda.

A circuncisão masculina se provou efetiva em número significativo de pessoas com HIV negativo testadas na África.

Pelo fato de que o PrEP também pode funcionar em porcentagem significativa de usuários não atingidos, a coalizão pelo desenvolvimento de vacinas contra a aids e outras organizações de pesquisa vêm alegando que chegou a hora de que os governos, as autoridades de saúde, os doadores, os pesquisadores e os proponentes da pesquisa sobre a aids se preparem para difundir ao máximo os benefícios de saúde pública caso a estratégia de prevenção por meio de medicamentos se prove eficaz.

Um motivo para que isso seja urgente, dizem os envolvidos, é que mesmo que uma estratégia de PrEP se prove frutífera, ela não poderia resolver todos os problemas de imediato.

A PrEP teria de ser combinada a medidas mais convencionais de prevenção, como práticas de uso seguro, uso de camisinhas e de seringas limpas e programas de aconselhamento.

Os governos precisariam se preparar para a aquisição mundial dos medicamentos usados na PrEP, preparar as equipes de funcionários necessárias a distribuir os remédios e aconselhar os usuários e determinar quem pagará pelos custos, afirmou a coalizão, que se define como uma organização internacional sem fins lucrativos para a defesa da comunidade e do consumidor.

Também seria necessário levar em conta o que fazer caso participantes venham a ser infectados, e os resultados de diversos testes teriam de estar disponíveis antes que uma política de PrEP ampla fosse recomendada.

Os resultados podem ser difíceis de interpretar, porque os testes estão sendo conduzidos de maneiras diferentes e podem produzir constatações divergentes, de acordo com o relatório da coalizão.

Os especialistas em estatísticas teriam de enfrentar o desafio envolvido em agregar os resultados de todos esses estudos.

O relatório também aponta que as constatações iniciais provavelmente suscitariam questões merecedoras de maior estudo, como determinar se o uso intermitente das pílulas preventivas ¿ especialmente logo antes do ato sexual- poderia ser efetivo.

Os pesquisadores que conduzem os estudos disseram que o trabalho está levando mais tempo do que esperavam inicialmente. Entre os problemas está o fato de que recrutar voluntários vem sendo mais demorados do que eles esperavam, e a estigmatização real ou em termos perceptuais dos participantes.

O relatório está disponível online em www.avac.org/prep08.pdf.

Fonte: The New York Times

criado por Rodrigo G. Bueno de Moraes    15:20:39 — Arquivado em: Saúde & Sociedade

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://odontovariedades.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.